Evangelho: Mateus 9, 36, 10,8 = Estamos no final do capítulo nove, início do capítulo 10, os dois anteriores, oito e nove, encontramos a cura de um leproso, a tempestade acalmada, a mulher com fluxo hemorrágico, e agora o evangelista nos apresenta como que um resumo e um retrato: O que ele verificou? Multidão cansada e abatida, porque não tem pastor.
A ovelha, no contexto da época, sozinha não era capaz de encontrar fonte, pasto, ovelha sem pastor equivale a um povo sem rumo, sem esperança, sem objetivo para a vida, falta quem lhes confira esperança e motivação para o cotidiano. Vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não tem pastor. (Cf. Mt 9, 36).
Jesus sentiu compaixão – Para nós ter dor, pena. Compaixão no termo grego, a própria interioridade se agita, se desordena, dói, dói no pastor a dor de seu rebanho, eis que o Filho de Deus, sente a dor, face aos perdidos.
Curioso – Jesus chama os discípulos, sempre que tem algo a se resolver com a multidão, Jesus busca entre os discípulos o diálogo. A dor do povo é a parte que o Filho de Deus tem a ensinar aqueles que o busca.
Discípulo – aquele que se deixa ensinar, o diálogo compadecido de Jesus aos discípulos. Se o discípulo for enviado, serão enviados para levar os consolos de Deus. “Jesus chamou os doze e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doenças e enfermidades” (Cf. Mt 9, 10). Espírito impuros, são enviados a curar doenças. Expulsou demônios – purificou pessoas de tudo aquilo que os distanciava de Deus. Tirar daquela pessoa tudo o que nela a distância de Deus. Eis o significado de tirar demônios.
Os nomes: Pedro, João, Tiago… homens violentos, tiveram que mudar, Mateus cobrador de imposto, precisou deixar sua função. Cada um com temperamentos diferentes, vícios, pecados,
A simples escolha, sugere que: Quando Jesus se torna o centro, as diferenças se unem, a diversidade a pluralidade se torna uma riqueza, por uma causa que é comum a todos. Quando não é Jesus o centro, a referência, cria-se polarizações, divisões, contendas, porque alguém quer ser a referência, alguém quer se aparecer, quer ser mais que os outros… uma comunidade assim estará fadada ao fracasso.
“Ide antes as ovelhas perdidas da casa de Israel”. (Cf. Mt 9, 6). Acaso Jesus esqueceu os outros? Não, lá em Mateus 28, ide a todos os povos. Comecem por aqui, é um início, a expansão terá a sua hora. Mas por agora, aprenda a dizer a esse povo, que vivem como ovelha sem pastor, que Deus se fez visível, ele estar entre nós no seu filho. Percebam que o Senhor estar junto deles.
“De graça recebestes, de graças deveis dar” (Cf. Mt 9, 7). Mas, o que foi que eles receberam “de graça”, a ser dado “de graça” a todos? Por meio das palavras, dos gestos, das escolhas de Jesus e de toda a Sua vida, os apóstolos fizeram a experiência da misericórdia de Deus. Apesar de suas fraquezas e de suas limitações, eles receberam a nova Lei do amor, da aceitação recíproca. Receberam, sobretudo, o dom que Deus quer fazer a todos os homens: seu próprio ser, sua companhia pelas estradas da vida, sua luz para iluminar as escolhas deles. São dons sem preço, que superam toda a nossa capacidade de retribuição: são, justamente, “gratuitos”. Foram dados aos apóstolos e a todos os cristãos, para que eles, por sua vez, se tornassem canais desses bens para todos aqueles que haveriam de encontrar, dia após dia.
A lógica de Jesus e do Evangelho é sempre essa: receber para compartilhar, nunca acumular para si mesmo. É um convite também para todos nós: reconhecermos aquilo que recebemos – energias, talentos, capacidades, bens materiais – e colocá-los a serviço dos outros. Portanto, a gratuidade supera as lógicas do mercado, do consumismo e do individualismo e dá espaço à partilha, à socialidade, à fraternidade, à nova cultura do dar.
Pe. Vandilson Pereira Sobrinho.
