A Aldeia Meruri, na Diocese de Barra do Garças, recebeu nesta quarta-feira (15) bispos do Regional Oeste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a celebração dos 50 anos do martírio do padre salesiano Rodolfo Lunkembein e de Simão Bororo. A Santa Missa foi presidida pelo bispo da Diocese de Barra do Garças, Dom Paulo Renato, e reuniu fiéis, religiosos, missionários, representantes do povo Boe Bororo e autoridades eclesiais de diversas regiões do estado.
Entre os bispos presentes estavam Dom Lúcio Nicoletto, da Prelazia de São Félix do Araguaia, e Dom Maurício Jardim, vice-presidente do Regional Oeste 2 da CNBB, que participou da celebração representando os demais bispos de Mato Grosso.
A celebração marcou o cinquentenário da morte de padre Rodolfo Lunkembein e Simão Bororo, assassinados em 15 de julho de 1976 na missão salesiana de Meruri. Considerados Servos de Deus pela Igreja Católica, ambos tiveram suas vidas dedicadas à missão junto ao povo Boe Bororo e são lembrados pelo testemunho de fé, defesa dos povos indígenas e compromisso com a paz.
A programação foi organizada pela Inspetoria Salesiana de Campo Grande e reuniu momentos de oração, memória e ação de graças junto aos túmulos dos dois mártires. A data também coincide com o avanço da causa de reconhecimento de seu martírio no Dicastério para as Causas dos Santos, no Vaticano. O processo diocesano foi concluído em 2020, a Positio super Martyrio foi entregue em 2024 e recebeu parecer favorável dos censores teólogos em 2025. A etapa seguinte será a análise pela Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos.
Natural da Alemanha, padre Rodolfo Lunkenbein chegou ao Brasil como missionário salesiano e dedicou grande parte de sua vida à missão em Meruri. Ordenado sacerdote em 1969, adotou como lema “Vim para servir e dar a vida” e tornou-se uma das principais lideranças na defesa dos direitos dos povos indígenas, participando da fundação do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).
Já Simão Bororo nasceu em Meruri e acompanhou de perto a missão salesiana na região. Pedreiro e liderança da comunidade, foi morto ao tentar proteger padre Rodolfo durante o ataque à missão. Segundo relatos da Igreja, antes de morrer, perdoou seus agressores.
Cinquenta anos após o episódio, a celebração em Meruri reafirmou a memória dos dois Servos de Deus e destacou o legado deixado para a Igreja no Brasil, especialmente na evangelização e na defesa dos povos indígenas. A presença dos bispos do Regional Oeste 2 reforçou a comunhão das dioceses de Mato Grosso com a Diocese de Barra do Garças e com o povo Boe Bororo na lembrança de um dos acontecimentos mais marcantes da história da Igreja na região. 


Matéria e imagem por: Maria Eduarda Bonfim/ Diocese de Barra do Garças